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A divisão do tempo em semanas, segundo historiadores


Tom Hanks perdeu a noção dos dias da semana durante a pandemia de covid-19. Segundo o ator americano, nos períodos de isolamento social mais intenso, “o sábado não existia” e “todos os dias são hoje”, afirmou em monólogo no programa humorístico “Saturday Night Live”. Para os historiadores econômicos David Henkin e Rebecca McLennan, da Universidade de Berkeley, os dias nunca existiram de fato, nem mesmo antes da crise sanitária.


No livro “The Week” (“A semana”, inédito no Brasil e sem previsão de lançamento), eles argumentam que a divisão da existência em porções de sete dias é apenas uma espécie de ilusão sustentada por um contrato social intrinsecamente capitalista.

Separando o profano e o sagrado

A principal motivação para a criação da semana era encontrar uma forma de separar o profano – os prazeres do lazer – do sagrado – o trabalho duro e seus supostos frutos morais. Em artigo no site Aeon, Henkin argumenta que essa necessidade de desassociar uma coisa da outra se daria por uma barreira entre essas duas esferas da vida.


A escolha do período de sete dias se deu pelos astrônomos do império romano, que conseguiam observar sete corpos celestes no céu e registrar a passagem dos dias a partir da posição deles. Tais conclusões foram obtidas a partir de descobertas anteriores feitas pelos gregos e pelos matemáticos muçulmanos do Oriente Médio.

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O tempo dedicado ao trabalho e ao lazer variou ao longo dos anos. Até o século 19, o padrão da maior parte das sociedades era dar aos cidadãos seis dias de trabalho e um de descanso – uma ideia vinda do Sabá judaico, no qual Deus teria criado o mundo em seis dias e descansado no sétimo.


A ideia de dois dias de descanso surgiu em 1843 na Inglaterra, após reivindicações feitas pelo sindicalista Robert Lowe.


A articulação política de Lowe serviu de base para que trabalhadores de outros países tentassem reduzir as horas de trabalho e ampliar as horas de lazer. Nos EUA, até 1908, a semana era composta por seis dias de trabalho – com jornadas de 12 horas, em média – e um dia de descanso. O mesmo era feito no Brasil até 1932, quando o ex-presidente Getúlio Vargas assinou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e instituiu a semana de cinco dias de trabalho, com jornadas de oito horas.

Outros tipos de semanas

A semana de sete dias é adotada pela maior parte das nações, mas não é universal.


O calendário Igbo, da Nigéria, traz semanas de quatro dias e anos com 13 meses – que começam em meados de fevereiro, quando comparados com o sistema temporal ocidental.


Em 1929, a União Soviética instaurou a nepreryvka, uma semana de cinco dias. Os trabalhadores, por meio de sorteio, eram categorizados em números e cores, que determinavam em qual dia eles deveriam descansar. Nesse sistema de rodízio, 80% dos trabalhadores soviéticos estavam nas fábricas e escritórios todos os dias, enquanto os outros 20% descansavam. A nepreryvka foi abandonada em 1940, quando o país voltou a adotar a semana de sete dias ocidental.

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