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O potencial do Brasil para ajudar a reduzir a desigualdade vacinal


Quase um ano após o início da vacinação contra a covid-19 no mundo, a desigualdade na distribuição das doses se tornou um dos principais obstáculos para o controle global da pandemia. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que cerca de 89% dos imunizantes estão concentrados nas 20 nações mais ricas do planeta, enquanto apenas 6,2% da população dos países pobres recebeu ao menos uma dose.


As doações de vacinas anunciadas pelas principais potências emperraram e são consideradas insuficientes. No Brasil, onde 74,8% da população recebeu ao menos uma dose até o início de dezembro e a aplicação de uma dose de reforço para todos os adultos já foi anunciada, o governo federal e o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, agora cogitaram doar vacinas a regiões como a África. Nenhum plano, porém, chegou a ser concretizado.


A existência de regiões sem acesso às vacinas, onde o vírus circula livremente, preocupa as autoridades e especialistas por favorecerem o surgimento de variantes mais contagiosas — como a ômicron, descoberta na África do Sul em novembro. Com o risco de escaparem das vacinas, elas podem fazer a pandemia se arrastar indefinidamente.

A desigualdade vacinal

Enquanto a taxa média de cobertura vacinal com duas doses ultrapassa 60% nos países de rendas alta e média-alta, apenas 3% da população completou o esquema vacinal em países pobres até o começo de dezembro. Essa desigualdade, para a OMS, pode levar a 200 milhões de novos casos e mais 5 milhões de mortes por covid-19 em 2022.

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Com o objetivo de evitar a repetição de uma tragédia, a OMS e a ONU (Organização das Nações Unidas) lançaram em outubro um plano para acelerar a vacinação no mundo. A meta traçada foi a de vacinar 40% da população de cada país até o final de 2021 e 70% até junho de 2022.

Mas o não cumprimento das promessas de doações de imunizantes pelos países ricos deve impedir que essas taxas sejam alcançadas. Em setembro, os Estados Unidos, por exemplo, haviam prometido doar mais de 1 bilhão de doses de vacinas. Apenas 25% delas tinham sido entregues no começo de dezembro. Já a União Europeia havia distribuído apenas 19% do que prometeu.


Sem as doações, a OMS estima que 82 países dos 92 mais pobres não devem conseguir atingir a marca de 40% de vacinados até o final de 2021.


A vacinação no Brasil

Até o começo de dezembro, o Brasil havia conseguido vacinar 64% de sua população com duas doses, taxa superior a de países como Israel (62%) e Estados Unidos (59%). Em relação à aplicação de ao menos uma dose na população, a taxa brasileira (76,9%) superava a do Reino Unido (74,9%) e a da Alemanha (71,3%).

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