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O que Moro revela em seu livro. E por que ele é criticado por isso


Semanas depois de se filiar a um partido e começar a articular abertamente sua possível candidatura a presidente da República, Sergio Moro vai lançar oficialmente na quinta-feira (2) o livro de memórias “Contra o sistema da corrupção”, publicado pelo selo Primeira Pessoa, da editora Sextante.


Na obra de 287 páginas, que começou a chegar às livrarias na terça (30), o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro do governo Bolsonaro resgata episódios emblemáticos da operação que prendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impactou decisivamente a crise que levou ao fim do governo de Dilma Rousseff (PT).


Mas grande parte da expectativa gira em torno da versão de Moro sobre seu embate com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que o ex-magistrado acusou de interferir na Polícia Federal ao deixar o Ministério da Justiça em abril de 2020.

Os anos da Lava Jato

Nas primeiras 134 páginas do livro, Moro rememora os anos em que atuou como juiz da Lava Jato e dá sua versão para os episódios da operação que mais repercutiram, buscando defender seu legado no combate à corrupção. Ele relembra o caso do áudio entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Rousseff interceptado pela Lava Jato em 2016 e diz que sua decisão de divulgar a gravação não foi “bem compreendida” pelo Supremo Tribunal Federal, que anulou o grampo por considerá-lo ilegal.

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Moro reclama da pressão para que fosse responsabilizado. “Se eu sofresse alguma punição naquele caso, penso, seria uma afronta à independência da magistratura”, afirma o ex-juiz. Ele alega que seguiu o padrão da Lava Jato de dar publicidade aos processos, mas não menciona que a operação agiu de maneira distinta no caso de outras escutas telefônicas, como revelou em 2019 o jornal Folha de S.Paulo.

Para o ex-juiz, era um dever investigar e processar Lula, que foi impedido de disputar a eleição de 2018 após ser condenado por Moro pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do apartamento tríplex em Guarujá (SP). No livro, ele atribui ao ex-presidente e ao PT a responsabilidade pela corrupção na Petrobras e diz que a estatal “foi literalmente saqueada por gerentes, diretores, agentes políticos e partidos políticos inescrupulosos.”


Ao tratar de seu papel nas investigações, nas quais foi considerado parcial pelo Supremo em março de 2021, depois que as condenações de Lula foram anuladas em decorrência do vazamento de diálogos internos da Lava Jato, Moro diz que a anulação dos processos “tem por base fatos e afirmações que não são reais” e defende suas decisões.


“Nunca houve qualquer fraude cometida contra o ex-presidente [Lula] no processo que resultou em sua condenação e jamais se atuou com parcialidade com ele”


Sergio Moro,


em trecho do livro “Contra o sistema da corrupção”


Sobre as mensagens hackeadas no escândalo que ficou conhecido como Vaza Jato, o ex-magistrado dedica um capítulo à parte, em que chama de “fantasiosa” a interpretação de que elas revelam uma atuação fora da lei. “Não há qualquer mensagem que indique antecipação de julgamento, motivação político-partidária ou interesse pessoal no resultado dos processos”, diz Moro. Boa parte dos diálogos revelados pelo site The Intercept Brasil e outros veículos de imprensa, entretanto, indicam uma parceria ilegal entre ele e o ex-procurador da República Deltan Dallagnol para obtenção de provas, o que não é objeto de análise no livro

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